terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Cattleya walkeriana coerulea ‘Dona Wilma’

Com o atual preço das walkerianas coeruleas redondas chegando em média a mil galinhas por bulbo, eu prefiro por enquanto ficar mesmo é com as históricas। No futuro quem sabe a Cattleya walkeriana de boa forma será na região central do país, o que a Cattleya intermedia está sendo acessível ao grande público. Esta é uma das primeiras C. walkeriana Cattleya walkeriana coerulea em um despenhadeiro de difícil acesso, numa região não especificada dos arredores de Itajubá, MG. Ao que parece, a verdade verdadeira é que o Barão de fato esteve no local, mas lá só encontrou plantas tipo.
A touceira de C. walkeriana coerulea já tinha sido descoberta antes pelo amigo do Barão residente em Itajubá, Dr. Celso Junqueira, de quem o Barão comprou alguns cortes dela. O Dr. Junqueira também vendeu um corte da planta em questão ao orquidófilo de Belo Horizonte, Sr. Mário Miranda, o qual por sua vez vendeu posteriormente um corte da sua a um orquidófilo paulista de nome Dick. Esse Sr. Dick colocou o seu próprio nome na sua divisão, a qual foi parar nas mãos dos Wenzel. O Barão de Guillany por sua vez vendeu uma divisão da planta que comprou do Dr. Junqueira, a qual nomeou de ‘Guillany’ (a mesma origem da ‘Dick’ portanto), para o Dr. Brieger, professor da ESALQ, o qual a depositou na coleção da faculdade com o nome clonal de ‘ESALQ’. coerulea a aparecer em cultivo e a boa forma e o forte azul escuro das suas flores, chamou a atenção ao cruzamento nº 427 dos Wenzel, fazendo com que os seedlings dessa sementeira logo se esgotassem. O cruzamento 427 é o resultado da cruza do cultivar caeruleo ‘Dick’, que era de propriedade dos Wenzel, com o cultivar caeruleo ‘ESALQ’, ou ‘Guillany’, que era de propriedade da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queirós, de Piracicaba. A polinização foi feita em abril de 1973 e a semeadura se deu em abril de 1974. Mais tarde soube-se que ambos vieram da mesma touceira e eram, portanto, originários da mesma planta. Isso torna o cruzamento um self, ou no caso das matrizes terem sido provenientes de duas plantas irmãs crescendo enredadas entre si, o cruzamento seria um sibling. A história dessas duas matrizes ainda precisa ser melhor esclarecida e eu tenho aqui comigo uma lista de perguntas que se possível gostaria de fazer ao Sr. Evaldo Wenzel ou ao seu filho César, por ocasião de uma visita ao orquidário deles em Rio Claro. Aí sim poderei escrever a história completa. A confusão toda se deu por causa de um artigo de grande repercussão escrito pelo orquidófilo de São Paulo, Barão Anton de Guillany, que de uma maneira meio fantasiosa descreveu a descoberta feita por ele em maio de 1967 de uma touceira de Segue esquema abaixo: Barão de Guillany—Dr. Brieger---ESALQ Natureza – Dr. Junqueira - cruzamento 427 ---Mário Miranda------------Dick----------------- Essa parece ser a melhor explicação para a origem das matrizes do cruzamento 427। Com o início das primeiras florações dos seedlings, abriu este cultivar da foto, o qual foi nomeado ‘Dona Wilma’ ou ‘Dona Vilma’ (mais uma coisa a se esclarecer), nome dado em homenagem à esposa do orquidófilo Alfredo Carona, de São Carlos, SP। A beleza dessa flor provocou uma corrida dos orquidófilos para adquirir os seedlings restantes, os quais se espalharam e começaram a florir nas mãos de terceiros. Um que comprou cerca de 40 seedlings, foi um orquidófilo de Matão, SP, conhecido como Eduardinho. Nas suas mãos floriram muitos exemplares excelentes para a época, inclusive o melhor de todos, que foi batizado com o nome da sua filha, Gilda Maria. A ‘Gilda Maria’ teve uma divisão sua adquirida por um orquidófilo da cidade de Taquaritinga, SP, de nome Malaquias, o qual por sua vez a vendeu ao Iwashita de Cotia, o qual a rebatizou de ‘Edward’ numa alusão ao Eduardinho e a enviou ao Japão, onde ela foi meristemada. Mas isso é uma outra estória que contarei quando estiver com fotos da ‘Gilda Maria’. Irmãs famosas da ‘Dona Wilma’, além da ‘Gilda Maria’, podemos citar a ‘Piracanjuba’, que foi o primeiro seedling da sementeira a florir; a ‘Aniel Carrier’, que possuía um belo labelo e era de propriedade do conhecido orquidófilo de Rio Claro; a ‘Taubaté’, que foi levada pelo orquidófilo Okada para o Japão; a ‘Dona Yolanda Pizarro’, batizada em nome da esposa do orquidófilo de Pirassununga, SP, Sr. João Pizarro e outras como a ‘Ronaldo Nazar’, ‘Alberto Wenzel’, ‘Carmem’, ‘Rosita’, ‘Blue Princess’, ‘Orvalho’, ‘Wenzel’s Son’ e ‘Blue Boy’. Ao que parece, alguns descendentes do cruzamento 427 possuem a sépala dorsal ligeiramente voltada para trás, característica mencionada pelo Barão no seu artigo como existente nas flores da touceira original. Já a característica das sépalas inferiores se erguerem para os lados é originária da Cattleya walkeriana coerulea ‘Patrícia’, planta também encontrada na natureza, mas que nada tem a ver com a touceira que originou a ‘Dona Wilma’.
Por Carlos keller

sábado, 31 de janeiro de 2009

Raízes de cattleya walkeriana

Venho observando raízes de cattleya walkeriana há uns 6 anos, nunca isoladamente, ou seja, além das pontas das raízes, temos que analisar, também, as bainhas dos brotos. Constatei o seguinte, ao longo desse período de observação: 1। Todas as albas têm raiz clara, de coloração que varia do verde- amarelado ao verde- limão। As cerúleas claras podem apresentar este padrão।
2. A recíproca não é verdadeira, ou seja, algumas raízes muito claras ou mesmo verde limão, podem ter a coloração tipo. 3. Adquiri corte de uma alba, de raiz verde- limão, porém bastante pigmentada nas brácteas (bainhas), indicando a presença de antocianina, ou seja, tratava-se de uma falsa alba ou alba recessiva. 4.surpreendentemente o corte que adquiri juntamente com a alba mencionada, (que percebi, após o botão desabrochar, tratar-se de uma amoena, ou seja, flor de um branco leitoso, com micro-traços no labelo) -tinha a raiz totalmente verde e quase nenhuma coloração nas brácteas. 5.melhor explicando, a planta alba era mais pigmentada do que a amoena ( que alguns classificam de semi-alba, mas cuja classificação correta seria amoena : exemplo, a walkeriana são francisco e essa que mencionei acima, uma réplica da são francisco, apenas na coloração). 6. Quando a raiz é verde-limão e a planta não apresenta pigmentação nas brácteas, (ou seja, não apresenta pigmentação nenhuma, trata-se de uma alba plena). 7. A presença da antocianina de forma intensa, nem sempre implica em planta de coloração muito escura. Algumas rubras têm bulbos muito escuros, cor de beterraba ou quase negros e as flores são rubras, outras, também escuras, têm flor de cor tipo, normal. 8. Mas esses fatores indicam ( de maneira não determinante, em alguns casos), a coloração da flor. 9. As plantas tipo, via de regra têm raiz verde-amarronzado, ou verde cor de chá, ou ainda, rosadas ou avermelhadas. Os brotos são abastante pigmentados, bordô, vinho, marrom avermelhado, etc... 10. As cerúleas têm, como as albas, raízes muito claras, amarelo- esverdeado ou verde limão. Suas brácteas, porém, são de coloração bordô mais acinzentado, ou mesmo completamente acinzentadas, ou claras (com pouquíssima pigmentação). 11. Pelo visto, as vinicolores apresentam raízes parecidas com as raízes da planta tipo, visto que é um lilás tendendo ao róseo (ou vermelho-claro). 12. As lilacíneas, por sua vez, sendo róseas tendendo ao azul, da mesma forma têm, como as vinicolores, raiz parecidas com as da tipo. De se ressaltar que essas duas colorações são limítrofes e se posicionam entre o rosa (lilás) e o azul (cerúleo), distinguidas uma da outra apenas porque uma tende ao cerúleo e a outra, ao róseo... Enfim, é difícil descrever com palavras, sutis nuances cromáticos e espero ter conseguido,ao menos parcialmente... Saudações walkerianeiras, Por Massato Ito

NA TEORIA, A PRÁTICA É OUTRA.

Por Massato Ito: Mesmo que não lidemos diretamente com o cultivo visando ao melhoramento da espécie, podemos perceber os erros cometidos por aqueles que o fazem. Exemplo: sem nunca ter "botado a mão na massa" - conheço, através da observação, o processo de semeadura "in vitro", executado por amigos, especialistas (da área biológica, agronômica, etc...), ou por não especialistas, e muitas vezes, os "não especialistas" têm mais "jeito", experiência prática, etc..., conseguindo estes, não raramente, melhor desempenho nessa tarefa(do que os outros) portanto, não bastam conceitos genéticos, transcritos de livros didáticos para elucidar uma realidade que constantemente contradiz dados "científicos". Por exemplo, podemos citar a questão do albinismo nas orquídeas, cuja ocorrência é justificada, quando dois fatores ("c" - substância cromogênica e "r" - enzima reatora), responsáveis pela coloração, aparecem de forma recessiva (ora o "c", ora o "r", ou ambos). Cruzamentos realizados com cattleya nobilior (alba parigi x alba milano), (alba bela vista x alba suzuki), que enfim deram todos 100 % tipo, ou seja, nenhuma alba. (ou as matrizes utilizadas eram falsas albas, só um deles, ou ambos, ou o percentualde albas nasceu e morreu, por serem mais frágeis e não conseguirem sobrepujar as tipo )(natimortas)... A genética chega a oferecer dados percentuais, destacando que se a mãe for pura (homozigota) a probabilidade de a progênie repetir as características é de 100% (?), se for heterozigota, 50%... (por exemplo de descendentes de matriz cerúlea recessiva x cerúlea recessiva, cerúlea plena x cerúlea recessiva, cerúlea plena x cerúlea plena, etc... Reproduziriam, respectivamente os seguintes percentuais: 25%, 50%, 75% e 100%) a realidade, porém é bem outra. Exemplo, walkeriana cerúlea gilda maria x walkeriana cerúlea patrícia (a primeira, f1 de cerúlea e a segunda, planta coletada) segregou 100 % de plantas tipo (nenhuma cerúlea). Patrícia foi descoberta, (retirada enquanto seedling), de uma árvore , semi-morta, pelo sr. Mário arruda mendes, cultivada em orquidário até chegar à fase adulta e florescer. De cerca de 50 seedlings coletados, um único deu floração cerúlea, e dois, plantas quase semi-albas. Gilda maria é resutado de auto-fecundação da cerúlea encontrada no mato, pelo barão de guilany, antigo comerciante de orquídeas e fecundado pelo sr. Evaldo wenzel, por polínea de planta, que descobriu-se mais tarde ser corte da mesma que foi fecundada( portanto, cruzamento self de planta do mato). Já o cruzamento da walkeriana cerúlea abc x cerúlea marimbondo, vendido pelo orquidário de são josé do rio preto, deu 100% de plantas cerúleas. Este mesmo cruzamento, (da abc x marimbondo), feito pelo dr. Gallo, deu 100% de plantas tipo. (observem que foi dito : o mesmo cruzamento) este resultado era óbvio, observando-se a coloração das plantas (bainhas dos brotos e pontas de raízes). Existe ainda aquela questão de se utilizar uma planta como progenitor feminino e a outra, masculino, ou seja, a primeira seria a que é fecundada e a segunda, a que oferece a polínea. Quanto à morfologia da flor, não importa qual seja o progenitor, feminino ou masculino, o resultado é o mesmo. O progenitor feminino, porém, é o único que lega à progênie os cloroplastídeos, que influenciam na fotossíntese, no desenvolvimento da planta (crescimento). Detalhe curioso: muitos reclamam: ah, " ele " não fez todo o sequenciamento genético e baseado em sequenciamento parcial, quer mudar toda uma classificação..." em alguns casos, por exemplo, no caso das dolosas, quando o progenitor feminino é a loddigesii, pelos cloroplastos que é legado da mãe à prole, já dá para saber com certeza de 99,99%, que a planta analisada é híbrida. Agora, mudando o foco para os genes que determinam a forma: a regra é utilizarem-se sempre matrizes de boa forma, pétalas largas, sépalas, idem, labelo estendido, triangulação equilátera, segmentos proporcionais, perfil plano, etc...etc... Às vezes ocorre no cruzamento,o efeito gênico da sobredominância , ou seja, a característica pretendida pelo cruzamento vai além das apresentadas pelas matrizes (muito melhor ou muito pior). Quando este efeito ocorre - um exemplo - atribui-se à walkeriana cerúlea patrícia, a pecha de "boa mãe", pois embora ela dificilmente legue a coloração cerúlea a seus descendentes, todos os cruzamentos de patrícia deram plantas de forma excepcional (que supera a da matriz). Outro exemplo desse efeito, foi o cruzamento da walkeriana tipo "fett" (de flor gigantesca), x walkeriana tipo "faceira" (estas de pétalas abertas), ambas de forma nada excepcional, diria, até comum. Porém... Como resultado, obtiveram-se as melhores plantas tipo (na forma), de que se tem notícia...(entre elas, a conhecida como "boss".) Mais um exemplo, vindo da brazil orchids, de cruzamentos efetuados com walkerianas vinicolores, a partir de três matrizes: 1o. Vinicolor "marden" (a de melhor forma, embora de tamanho pequeno, tem pétalas bastante largas, longas, assim como ótimas sépalas e labelo de istmo largo). 2o. Vinicolor "felipe"(forma um pouco inferior à marden, porém maior em tamanho, pétalas boas e sépalas razoáveis. 3o. Vinicolor "isadora"(de forma, aparentemente a mais feia, ou menos bonita das três, de pétalas torcidas (inclinadas para trás). Foram realizados cruzamentos da marden x felipe, marden x isadora e isadora x felipe (posso estar enganado, só tenho certeza quanto aos dois primeiros cruzamentos). Obviamente, se pudesse comprar seedlings desses cruzamentos (caríssimos, segundo consta, nas mão desses meninos )(r-s-r-s!!!) Qualquer um apostaria no primeiro cruzamento (das duas matrizes de melhor forma). No entretanto, daquele cruzamento do qual nada se esperava, ou que se esperava tudo de pior, sairam as melhores plantas!!!(entre elas a vinicolor "denise cavasini" (creio que premiada na exposição de belo horizonte. Embora a genética explique, eu custo a acreditar (prefiro crer que tenha havido troca de etiquetas, etc...)(enfim,tudo é possível), mas sabe-se que a regra é que plantas boas produzam flores boas. Não fosse assim, as matas estariam repletas de flores de boa forma, já que o polinizador(abelha, mariposa, mosca), não escolhe forma, faz tudo de maneira totalmente aleatória. Quanto aos cruzamentos inter-genéricos, não interessam à discussão. (não misturemos alhos com bugalhos). As pétalas mais largas, mais estreitas, maiores, ou menores, redondas ou alongadas nada têm a ver com a ploidia da planta. Trata-se meramente de característica morfológica, peculiaridade individual, não tendo nenhuma relação com a diploidia, triploidia, ou poliploidia. Acho que isso tem a ver mais com a substância, espessura maior dos segmentos, pétalos e sépalos. Podemos até estar enganados, mas quando vemos uma walkeriana de pétalas muito espessas, que encontra dificuldade até em ficar espalmada, e cujo labelo não consegue atingir ângulo de 160º, dizemos logo que a planta é tetraploide...(sem que a contagem dos cromossomos tenha sido feita). Saudações walkerianeiras.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Classificação cromática c.walkeriana

A Classificação cromática e arquétipos são baseados em variedades conhecidas que estão sendo atualmente cultivada por muitos Orquidólifos de todo mundo .
Além de utilizar nomes de cultivar, esta classificação deve revelar-se útil para cultivadores e colecionadores na identificação correta das suas variedades de Cattleya walkeriana.
Variação cromática de C.walkeriana
Alba:
Sépalas, pétalas e labelo (inclusive a coluna) branco puro, podendo apresentar, entretanto, uma coloração creme amarelado ao longo dos sulcos do labelo sob a coluna. Suave:
Este agrupamento é o mais complexo e com grande variação de nuances de tom e cor, as flores apresentam sépalas e pétalas com um sopro róseo de intensidade variada, a coloração do labelo também influencia muito nas subcategorias: Suave -
coloração rósea claro nas pétalas e sépalas, o labelo varia de intensidade de lilás claro até rubro.
Suavíssima -
Sépalas e pétalas com leve coloração rósea. labelo róseo suave ou branco. albescente - Sépalas e pétalas brancas, um sopro róseo quase imperceptível, labelo todo branco com um sopro róseo bem suave.
Semi - alba:
Sépalas e pétalas com branco puro e labelo colorido, geralmente muito rosa. Caerulea:
Sépalas e pétalas apresentando coloração azulada, de intensidade e tonalidade variáveis, que determinam os seguintes grupos: Caerulea -
Sépalas e pétalas apresentam coloração azulada de intensidade variável e labelo apresentando coloração mais intensa.
Caerulescente -
sépalas, pétalas e labelo com coloração azulada claro de intensidade próximas, quase concolor.
Lilás:
Reúne todas a s flores de tonalidade lilás variando as intensidades que determinam os grupos a seguir: Lilás Tipo -
sépalas e pétalas de coloração lilás e a coloração padrão desta espécie. Rosada - Sépalas e pétalas de coloração lilás claro, chegando a rosada.
Rubra -
Sépalas e pétalas de coloração homogênea lilás bem intenso, com labelo bem escuro chegando a rubro.
Lilacínea:
Sépalas e pétalas apresentando coloração intermediaria entre o azulado e o lilás de intensidade variável, o labelo é da mesma cor. Vinicolor:
Sépalas e pétalas de coloração avermelhada com tonalidade vinho tinto, labelo apresenta a mesma tonalidade de cor. Flâmeas:
Sépalas e pétalas apresentam coloração lilás, as pétalas mostram sulcos longitudinais com colorido mais intenso próximo ao ápice.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

walkeriana var. alba “Pendentive” AM/AOS

Por YÜKI SUZUKI Na revista JOGA, da Japan Orchids Grower Association, vol. 4 outono-verão de 2003 ,Yüki Suzuki relata suas experiencias em cruzamentos da C. walkeriana var. alba “Pendentive “e também de outras C. walkeriana albas que foram disponibilizadas nos Estados Unidos nestes últimos trinta anos. Segundo o artigo, os resultados obtidos levaram o autor a questionar a autenticidade daquelas plantas como indivíduos puros da espécie Cattleya walkeriana. Ao nosso ver; este artigo representa uma positiva contribuição para o tema, sobre o qual, muito se ouve, mas que carece de uma análise melhor fundamentada que nos possibilite conclusões mais objetivas. Por esta razão, esperamos que o trabalho de Yüki Suzuki sirva de exemplo para que outras contribuições venham a ser apresentadas ao mundo orquidójilo e orquidólogo. Mark Reeves, em 1980, esteve na cidade de Mishima no Japão durante o Festival de Verão, ocasião em que conheceu Yüki Suzuki e lhe fez nua visita. Reeves, um cultivador de orquídeas, era, então, um jovem americano, que residia em Miami, Florida e, naquela época, era Presidente da South Florida Orchid Socicty (SF05). Atualmente Padre, Mark Reeves, um católico devoto, não mais cultiva orquídeas e trabalha no Vaticano. Deixou ao mundo orquidófilo uma importante contribuição que é a C. walkeriana var. alba Pendentive”. Na época em que visitou Yüki Suzuki, cultivava a “Pendentive” na corticeira e vendia suas mudas para colecionadores e orquidários, o que lhe permitia realizar as viagens intemacionais. Em 1977, aplanta obteve 85 pontos e premiaçãoAM (Arward of Merit) naAmerican Orchid Society (AOS) . Hoje existem muitos mencIones e cortes da planta original, espalhados pelo mundo todo. A origem desta planta vem sendo muito discutida, assim como sua autenticidade como verdadeira C. walkeriana. Pode se tratar de um híbrido natural ou artificial, feito de maneira proposital ou por engano, e, por apresentar características diferentes, tem sido esta a razão das suspeitas levantadas. Yüki recebcu esta planta de Reeves na década de 70. Ao florir, Yüki percebeu que ela era diferente da C. walkeriana. Naquela época,já era conhecida, no Japão, a C. dolosa. Comparando sua flor, estreitinha, com aflor da ”Pendentive”, era nítidaa diferente e, natural ou não, era uma flor muito bonita. Mark Reeves adquiriu a C. walkeriana alba “Pendcntive” na década de 70, da firma de FredA. Stewart, estabelecida em San Gabriel, Califónia, nos Estados Unidos. Naquela época, Stewart fez muitos cruzamentos, siblings de C. walkeriana e vendia os seedlings deles provenicntcs C. walkeriana “Pendentive” Em abril de 1977, na exposição da AOS, os juizes duvidaram da autenticidade da C. Dolosa e da “Pendentive”. Houve grande discussão em tomo do assunto, achando os juizes que a “Pendentive” seria uma C. Dolosa. Mesmo na dúvida, a planta obteve 85 pontos c classificação AM/AOS. A Califómia apresenta ótimas condições climáticas para cultivo dcc. walkeriana. Mesmo assim, as plantas da variedade alba apresentam menor resistência e, portanto, maior dificuldade de cultivo, que exige, por isto, matrizes selecionadas. Em 1974, o cultivar denominado “Perfect Charm” foi premiado. Já em 1978, outro cultivar, denominado “Diamond Bright” foi também premiado. Todos eles chamavam muita atenção, por representar sucesso na seleção das matrizes, oriundas da Stewart, procedentes de uma única matriz, “Orchidglad”, após sucessivas gerações. As flores albas deixavam doidos os orquidófilos. Os cultivares “Perfect Charm” e “Diamond Bright” são seedlings oriundos do mesmo cruzamento. Em visita que fez ao orquidário Stewart, em 1980, Yüki se lembra que havia bastante mudas de C. walkerianavar. alba. Em 1965 foi feita uma autofecundação do cultivar “Orchidglade”, o qual Yüki acredita que seja um híbrido natural. Depois disto, outros cruzamentos entre plantas irmãs foram feitos, donde resultou a “Pendentive”. Há quem afirme que a “Pendentive” é uma planta natural, mas Yüki Suzuki acredita tratar-sede planta que foi produzidapor Stewart. A”Orchidglade”foi premiadaem l960 pela AmericanOrchid Society AOS.Yüki é de opinião que toda sua descendências da híbrida. No início da década de 1990, Jonny & ScuIly, estabelecido em Miami, na Flórida e considerado o maior orquidário comercial do mundo, encerrou suas atividades. A famosa C. walkeriana var. alba “Orchidglade” era considerada seu principal produto. Muitos queriam obter informaçoes sobre as duas gerações anteriores da “Pendentive”, ou seja, da “Orchidglade”. Robert Scully Junior, que atualmente reside em Saragossa, foi visitado por Yüki, que,conversando com ele, por acaso falou sobre a “Orchidglade” e as dúvidas que pairavam sobre ela, Ele informou que dela havia sido feita autofecundação, do que resultaram poucos seedlings nos frascos do laboratório. Haviamuitos interessados em adquiri-los. Stewart comprou de Jonny & Scully apenas dois frascos. O catálogo da firma Jonny & Scully mais parecia um dicionário, tantas eram as plantas, Porém a C. walkeriana “Orchidglade” não figurava ali. Em 1970, cada muda era vendida a 150 dólares americanos. Porém, na época em que Stewart comprou, era muito mais caro. Yuki duvida do preço, o qual, no seu entender, deve ter sido muito maior, na época. Anualmente, os seedlings eram exportados para o Japão, onde havia bastante mudas para venda. Uma delas, denominada de “Yüki San”, obteve prêmio AM-AJOS, no Japão. Esta planta porém já morreu. Atualmente poucas plantas ainda estão disponíveis no Japão. Sobre a “Orchidglade” O primeiro a possuir a “Orchidglade” foi o Sr. Robert M. Scully, que conhecia um brasileiro,por nome Ely Uores, um vendedor de orquídeas e que, se ainda vivo, teria mais de 100 anos. Teria c. walkeriana “Orchidglade” ele quem lhe vendeu a primeira geração de “Orchidglade”. Yuki diz não saber muito sobre Ely. Apenas que seria uma pessoa suspeita, que afiemava ter coletado a planta no habitat natural. Yüki tem informações de que no Brasil ele seria considerado um mau caráter (bad gay). Correm rumores de que esta planta teria sido roubada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o que YÜki acha procedente, uma vez que não há nenhum registro sobre ela. Ele, porém, não duvida que a “Orchidglade” foi coletada, há muito tempo, em seu habitat natural. Ela apresenta as características de uma C. wallceriana pura, razão pela qual obteve classificação FCC da AOS. A”Pendentive” é segunda geração da “Orchidglade”. Yüki acha que a “Orchidglade” é um híbrido que, ao longo de várias gerações, passou por várias misturas. Por exemplo, se procedente de região do Brasil, onde também ocorre a C. loddigesii, pode ter resultado de um híbrido natural, cruzado posterionnente, várias vezes, com a C. walkeriana e, depois, com a C. loddigesii, predominando as características da C. walkeriana. Este processo pode ter ocorrido, por hipótese, durante milhões de anos, após o que pode ter sido encontrada por alguém, que, chando ser uma C. walkeriana pura, pode tê-la vendido e ganho muito dinheiro. Até mesmo para cientistas é dificil de se ter confirmação dessa hipótese. Na ilha de Kyucho, sul do Japão e no arquipélago aparecem alguns híbridos naturais. Na Tailândia o mesmo ocorre com os Paphios. Isto representa bons exemplos do fenômeno analisado. Também no Brasil aconteceram estes problemas com a C. walkeriana. Yüki informa que a Faculdade de Agricultura de Gifu procedeu a estudos de laboratório muito interessantes sobre o DNA da Cattleya, nos quais se observou muita proximidade entre os grupos das C. walkeriana tipo, coerulea e semi- alba.. Somente as albas como “Pendentive”, “Perfect Charm” e “Orchidglade” se situaram em outro grupo, distinto do primeiro e se mostraram mais próximos da “Angel Walker” ou da “Obreiniana”. O resultado a que se chegou, sugere que a pendentive” é da mesma raça da “Orchidglade”, terceira geração e Yüki acha que daria para se confirmar isto. Lamenta que não se disponha mais do cultivar “Orchidglade”original para se fazerem testes. A “Orchidglade” e a “Pendentive” podem, mesmo, ser híbridos. Não há como negar que não sejam misturados com outra espécie. Yüki lamenta não ter conhecimento profundo dos estudos feitos pela citada Faculdade, o que poderia esclarecer um pouco da origem da C. walkeriana “Orchidglade”. E grande o interesse pela Pendentive”, baseado na qualidade de sua flor. Na finna Jonny & SculIy os primeiros cruzamentos da “Orchidglade” constam em seu catálogo com o Número 1550: C. “Angel Walker”, C. “Little Angel” e C. “June Delight”. A”Orchidglade” apresenta flores com a largura das flores da C. loddigesii. Yüki conclui que isto explica sua maior proximidade ao grupo. Na sua opinião, os exames de DNA mostram que estão muito próximos. Na C. “Angel Walker” esta característica é muito forte e predomina muito nas gerações seguintes. Este detalhe lhe confere grande valorização.Atualmente se evidencia a predileção por plantas originais e a “Pendentive” não é levada em consideração nos julgamentos. Todavia, os leigos apreciam muito esta planta.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

As muitas C. walkeriana albas/albencens em uma mesma árvore

As muitas C. walkeriana albas/albencens em uma mesma árvore Por:João Vicente dos Reis Wagner Marques Daniel Vieira Dias Sempre se ouviu falar das dificuldades de se encontrar C. walkeriana alba ou albencens em seu habitat. Em nossa região, em aproximadamente 40 anos de cultivo, se conheceu apenas quatro C. walkeriana alba/albencens naturais: albencens Maria Amélia, alba Malheiros (Morel), alba Rosangela, alba Maria Augusta. No ano de 2000, o Sr. Wagner Marques de codinome “Quito”, apareceu sorridente por anunciar a floração de uma C. walkeriana albencens de grande tamanho e forma estrelata, já entoceirada, que recebeu o nome de “Santana”. Ao ser indagado sobre a procedência exata da localização da planta encontrada, o Sr. “Quito” informava que não poderia saber exatamente o lugar, pois ele havia feito um percurso variado numa determinada região, a qual não sabia precisar a real localização. Nesta mesma viagem, o Sr. “Quito” estava acompanhado de outros 4 colegas que moravam na mesma cidade e compartilhavam o mesmo interesse pelas orquídeas. Aproximadamente um ano depois da floração da C. walkeriana albencens “Santana” surgiu uma nova C. walkeriana albencens cuja forma e coloração lembrava parentesco com a “Santana”, a nova planta recebeu o nome de “Dagmar”. O orquidófilo, Sr. Osmando, que apresentou a “Dagmar” estava também na primeira expedição em que encontraram a “Santana”. A partir destas descobertas, um dos orquidófilos da associação, despertou o interesse pelo paradeiro daquelas novas plantas. No entanto, as informações eram sempre contraditórias. Um dos motivos é que realmente os orquidófilos participantes da primeira expedição tinham percorrido uma grande área e infelizmente não sabiam precisar sua localização. Vale a pena ressaltar que as plantas foram coletadas fora da floração, apenas pela característica de apresentarem raízes muito claras. Após ouvir várias opiniões, o Sr. João Vicente, resolveu fazer o mesmo percurso. Logo que anunciou a sua intenção, foi dito que a possibilidade maior de encontrá-las seria a margem direita da rodovia que liga a cidade de Itaúna a Passos. Porém, ao ver realmente sua decisão em prosseguir na viagem, outro colega, disse para investigar a margem esquerda da rodovia. O Sr. João Vicente ao chegar ao provável lugar de encontro das C. walkeriana albas, iniciou o percurso subindo uma serra através de uma trilha existente. Na subida desta trilha existiam várias árvores com “seedlings”, já grandes, de C. walkeriana. Pacientemente foi numerando em etiquetas próprias o número das árvores, dado pela seqüência da subida da trilha, e ao mesmo tempo coletando amostras de “seedlings” , destas árvores. No ano seguinte, uma destas plantas, dada de presente pelo Sr. João ao Sr. Osmando, floriu e ganhou o primeiro lugar das albas/albencens na exposição da Cidade de Itaúna. Esta planta recebeu o nome de “Gustavo Franco”. Ao analisar a etiqueta da planta, o Sr. João, sabia exatamente qual das árvores o tinha privilegiado com a descoberta. Imediatamente voltou a região, sabendo exatamente a árvore que devia ser examinada com cautela. Desta vez voltou acompanhado de dois outros amigos: Sr. Osmando e Sr. Roberto. Foram coletadas ao todo, aproximadamente 60 “seedlings”, alguns poucos floriram tipo. Em torno de 20 plantas floriram albencens/alba. Existem ainda 20 plantas que ainda não floriram, pois foram coletadas ainda muito pequenas. Tudo leva crer que serão como as irmãs, pois apresentam características vegetativas idênticas as já confirmadas pela floração. Estas novas plantas têm sido muito apreciadas nas exposições, algumas delas já receberam os seguintes nomes: “João 02”, “João 03”, “João 05 (Dolly)”, João 28, “A-6 (“Toco Grande”), “A-7”, “A-10”, “Heloisa Vargas”, “Ana Luisa” entre outras. Estas plantas relacionadas e fotodocumentadas, foram polinizadas e algumas delas já se encontram nos vidros para serem aclimatadas em 2005. Em 2005, filhos dessas plantas já estarão disponíveis no Brasil.